Página "A ilusão dos sonhos" III

Acredito que as vivências da nossa infância se reflectem nas nossas atitudes e escolhas quando adultos. Se na idade mais frágil e mais precisa não se sentiu amor, como o poderemos reconhecer quando nos depararmos com ele?
Estas experiencias, fazem-nos arranjar as mais variadas formas de protecção, criamos uma resistente capa que apenas transparece a frieza, indiferença e coragem que queremos mostrar, quando na verdade não passamos de pequenas criaturas assustadas que só querem amar e ser amadas. São estas situações que vivem no nosso subconsciente que nos impedem de conhecer a tão chamada felicidade, passamos então a viver dentro de nós mesmos, chegando ao ponto de pensar que não temos capacidade de amar outro ser, imaginando que nunca ninguém irá gostar de nós, que não merecemos a felicidade, que ninguém merece o exclusivo direito de ter acesso à nossa confiança.
Crescemos receosos e temendo a rejeição, queremos mostrar afecto e carinho, mas a capa que construímos é impenetrável e habituámo-nos de tal forma a ela que nos sentimos nus se a retirarmos, queremos dizer o quanto amamos alguém, mas como se faz?
Como podemos então, amar e ser amados se em momento algum sentimos a força desse sentimento capaz de acalmar a mais dolorosa das angustias, aquela que nos enfraquece o espírito aquela que podemos comparar à morte, não física mas espiritual, a tão temida solidão a que vive na escuridão que nos invade e que torna frias as noites, a que nos bombardeia com memórias que trazem à luz das sombras o sentimento de abandono.
Se encontrar o verdadeiro amor fosse fácil, todos nós seriamos felizes e isso não acontece. Sonhamos, imaginamos, fantasiamos com o ser angelical que irá cruzar o nosso caminho e fazer-nos esquecer de respirar por breves instantes. Um ser que tantas vezes nos visitou em sonhos ternos.
Nascemos a cada novo sol que amanhece, perdemo-nos por entre pensamentos e sonhos que nos alimentam a alma que nos fortalecem que nos dão razão para enfrentar tudo o que para nós foi destinado. Mas como encontrar, este, alguém? Será que existe ou é apenas fruto da nossa imaginação e das histórias de amores impossíveis que se alojaram no mais íntimo recanto do nosso subconsciente? (...)

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