O sangue que me corre veloz nas veias queima-me como a lava que desperta agora de um eterno sono e que incontrolável devasta tudo o que no seu caminho atravessa.
Olho para trás e é a ti que vejo não pareces real, agarro-me a todas as forças que ainda resistem à minha dor e grito o teu nome, mas a minha voz não sai é como se na minha mente o teu nome vivesse presente mas só eu o posso ouvir.
Estendo a minha mão e quero pousá-la no peito que tantas vezes me consolou e me protegeu, mas quando me aproximo desvaneceste por entre os meus dedos como se não fosses mais que uma simples e frágil nuvem de fumo.
Quero respirar e não consigo, o meu corpo estremece e acordo.
Vejo que foi apenas mais um de muitos sonhos, levanto-me trémula e sento-me na cama, olho a luz da lua que entra pelos buracos da janela e as certezas que não quero ter jorram na minha mente como as recordações que tanto quero esquecer. Não estás e não vou mais ver o sorriso que me iluminava, não vou mais sentir o calor da pele que num abraço apertado me protegia do pior dos medos, o do abandono.
Um frio desce pelo meu rosto e a dor com que me debato começa lentamente a desvanecer.
Lágrimas, que já fazem parte das minhas noites, são a minha companhia, são o que me lembra de que ainda sobrevivo, que o meu coração ainda pulsa ao compasso da minha vontade.
Estas pequenas gotas que ainda não controlo, despertam no silêncio da noite a réstia de vida que ainda luta escondida na minha débil e fragilizada alma.
Relembro o dia em que te perdi e o bater do meu coração dispara como uma seta em direcção às lembranças.
Aquele que jurou protecção, aquele que prometeu não ferir o amor que por ele nutria, deixou-me perdida nesta interminável estrada manchada pelo denso nevoeiro das promessas vãs, sem saber que direcção seguir, acompanhada apenas do fiel companheiro que tanto temi, o abandono.
As palavras que causaram e serviram de desculpa a este inesperado momento, continuam a ecoar na minha mente como silenciosas feridas que recusam cicatrizar. Palavras igualadas a profundos golpes desferidos no meu corpo. Palavras cujo sussurro foi ensurdecedor. Palavras, que sem pensar duas vezes trocaria por anos da minha vida.
Quem disse que a dor tem que ser somente física, quando é a dor da alma a que mais mata, pois esta é lenta e silenciosamente mortal, a cada minuto que passa a nossa alma fica mais fraca, mais frágil até que por fim acaba por ceder partindo-se em infinitos pedaços brilhantes como o mais belo dos cristais (...)
Nunca te desiludas com a vida...a culpa não é dela...somente tua(nossa) por viveres agrrada ás "ilusões dos sonhos" das promessas. Vive sem essa ilusão e procura a felecidade onde ela está no seu estado mais puro: em ti! depois e só depois procura complementá-la e fortalece-la com alguém...
ResponderEliminarO contrário é a nossa perdição...