Um dia esse amor vem ter conosco, sem que nada nem ninguém anuncie a sua chegada, é de uma beleza simplesmente perfeita tal como o idealizámos, temos medo de o tocar receando ser uma ilusão, temos medo de respirar temendo acordar, o nosso coração dispara e bate apressado como se em segundos quisesse bater todas as vezes que o fez até então, sentimos uma emoção impossível de descrever e pensamos, finalmente encontrei-me na pureza e imensidão deste primeiro olhar que me faz viajar por entre emoções que me invadem de forma vertiginosa.
Os dias passam envoltos na ternura e suavidade das asas deste anjo que nos mantém suspensos na magia deste conto de fadas tornado real, perdemos a noção do tempo e do espaço, contamos os minutos lutando contra a impaciência de chegar o momento em que os nossos dedos tocam suave a sua pele quente, sentimo-nos a pessoa mais feliz e realizada, que alguma vez o mundo conheceu.
Compreendemo-nos como se de uma junção minuciosamente planeada fossemos predestinados, respeitamo-nos de forma incondicional, amamo-nos como amigos e como amantes, divertimo-nos com a simplicidade e naturalidade do nosso ser, confiamos a este ser o ar que nos mantém vivos, sentimos a dor e sofrimento que aplaca aquele que foi feito com a única função de percorrer todo o caminho que nos separava como se de uma missão se tratasse, suspiramos a cada toque a cada cheiro que reavive na nossa mente momentos que guardamos religiosamente no nosso peito, sentimos uma necessidade inexplicável de cuidar deste ser como se de uma peça frágil se tratasse, lutamos pelo seu sorriso, pelo seu sucesso e orgulhamo-nos de partilhar a nossa vida com um ser tão especial que iguala e toca bem de perto a perfeição, queremos gritar o seu nome do cimo da mais alta montanha, tememos o fim deste sonho quase irreal e por fim, perdemo-lo.
Esforço-me na tentativa de tentar respirar e com alguma dificuldade sinto o ar quente entrar suave no meu corpo, mas não o suficiente.
A sensação que me assola é a de carregar sobre o meu peito o peso de toda a dor do mundo. Sinto que os meus pés não tocam o chão que se estende à minha frente, tortuoso e escarpado. Sinto que o meu corpo cai num abismo vazio e que o medo agora não me incomoda, deixo-me ir como se de um sonho se tratasse e não receio o lugar que me espera. Imagino-o cheio de uma luz ofuscante que me aquece a pele e me faz sentir em casa. Não temo porque nada do que me possa acontecer, vai ser maior que a dor e sofrimento que vive dentro de mim.
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