Página "A ilusão dos sonhos" I

Todos nós, por mais que neguemos, durante os fugazes momentos que passamos no nosso espaço de conforto sonhamos e construímos castelos mágicos assentes em histórias de amor onde quando menos se espera aparece o homem dos nossos sonhos, não num cavalo branco, mas tendo em conta a evolução que os meios de transporte sofreram, quiçá num pegeaut 207.
Nestes contos que nos alimentam e mantêm viva a força de acreditar no amor por quem tanto suspiramos, imaginamos os deliciosos romances que nos fazem sonhar durante a infância, carregados de romantismo típico do séc. XVI, tempo em que se viviam amores épicos tanto intensos quanto impossíveis e que retratavam os tempos que se viviam no limiar da linha que separava a vida boémia da vida sufocada por regras e crenças da burguesia.
Romances, estes, que nos fazem sonhar com amores impossíveis vividos da forma mais intensa, sempre na calada da noite e longe dos olhares e mentalidades acusadoras.
Imaginamos como seria viver nesta época e tentamos sentir o sabor do sofrimento que amargurava os dias das donzelas que eram destinadas desde cedo a casar com alguém que não conheciam e pelo qual não nutriam a paixão com que sonhavam como sendo o grande e arrebatador amor que iria chegar e acender um fogo incontrolável no coração da mais pura das donzelas.
Amores que tinham um fim trágico, não somente pela morte física mas essencialmente pelo fim das suas ferventes e impressionantes paixões, que em prol das vontades das suas famílias renunciavam ao amor porque tantas outras suspiravam no silêncio dos seus aposentos na escuridão e espera impaciente daquele que lhes iria despertar do sono dos ímpios nas noites em que a imaginação era senhora e rainha das suas vontades e desejos mais secretos.
Porém, nos nossos dias o sentimento que outrora moveu o mundo e enfrentou tudo e todos, caiu em descrédito, deixou de ser valorizado e é visto como uma ilusão ou algo inacessível ao comum dos mortais.
Existem relatos da força deste sentimento que marcaram as mais variadas épocas da nossa história, porquê ignorar? Porquê fingir que não existe e quase julgar em praça pública os que nele acreditam olhando-os como pequenos inocentes e ingénuos sonhadores?
O amor é o sentimento mais puro, mais terno e mais poderoso, por vezes incrivelmente doloroso, mas de que nos vale a nossa rápida passagem por este mundo se não tentarmos sentir um pouco do seu sabor?
Este sentimento verdadeiramente poderoso permite-nos aprender, crescer e fortalecer, tornando-nos seres capazes de enfrentar os obstáculos que encontramos pelo caminho que nos foi destinado percorrer. Não há razão para temer o que não temos capacidade de controlar e os sentimentos são a mais fiel prova dessa nossa fraqueza.
E como se costuma dizer, o que não nos mata, torna-nos mais fortes e é assim que devemos ver esta procura constante, como uma profunda aprendizagem e a mais bela e pura aventura da nossa frágil e fugaz vida.(continua...)

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