Página "A ilusão dos sonhos" II

Costuma-se dizer que os artistas sejam eles poetas, dramaturgos, compositores ou pintores, criam as suas melhores obras nos momentos mais marcantes das suas vidas, pois é quando as suas emoções estão mais à flor da pele, quando sentem a sua dor ou alegria de forma mais intensa e quando é mais fácil exprimir os seus sentimentos e emoções, transcrevendo-os assim para o papel, tela ou pauta de forma fiel e sincera.
Como tal, é num destes momentos que me inspiro.
Imagina-se a infância como sendo um lugar seguro e protegido de todos os males que abalam o nosso mundo.
È o momento mais importante das nossas vidas, pois faz de nós aquilo que somos hoje, são-nos transmitidos valores, crenças, construímos a nossa personalidade à imagem daquele que mais próximo nos é e crescemos limando arestas da nossa personalidade inicialmente em bruto.
Mas nem todos vivemos esse momento rodeados de ternura, nem todos vivemos num arco-íris feito sob uma nuvem de algodão construída com a força de mil sonhos.
Quando na infância passamos por situações de desgaste psicológico em que o medo vive aceso dentro de nós, em que adormecemos embalados pelo som aterrorizador dos gritos e que com os mesmos despertamos para mais um dia, nada mais podemos esperar do que receber de braços abertos as previsíveis dificuldades de socialização e interacção com os outros.
Esse doce momento que deveria ser construído sob dezenas de sorrisos de todas as mais lindas cores, transforma-se num medo que nos trava que nos impede de ver e sentir a beleza de tudo o que nos rodeia.
As lágrimas, a dor e o sofrimento atroz queimam-nos a alma, marcam-nos de forma irreversível para toda uma vida, uma vida que não pedimos, uma vida que não queremos viver, uma vida que somos forçados a seguir pelo mais tortuoso e difícil dos caminhos.
Olhamos em volta e o sorriso das outras crianças em tanto igual ao nosso, ilumina-nos, faz-nos sonhar e imaginar como seria sentir tamanha alegria. Perante isto damos por nós a pensar, porque não a sinto eu?

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